sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cresce o debate em torno dos queijos de leite cru nos EUA

A polêmica sobre o queijo fabricado de leite crú não ocorre somente em Minas. Nos EUA a discussão sobre o tema, envolvendo orgãos de regulação e produtores se arrasta à algum tempo.Veja aqui . Nada contra o nosso tradicional queijo mineiro, de leite crú, mas é preciso, e já esta passando da hora, de dar uma solução para esta descompasso entre os orgãos que deveriam dar fomento aos pequenos produtores, incentivando a produção segura desta iguaria, e os de contrôle sanitário e defesa do consumidor, preocupados com a saúde pública. A questão talvez seja muito mais de aspecto sanitário do que qualquer outra coisa. Neste sentido, é preciso levantar, com dados epidemiológicos, coisa que só a saúde pode fazer, a possibilidade da produção deste milenar alimento dentro dos padrões microbiológicos estabelecidos pelas normas brasileiras que seguem as internacionais previstas no Codex Alimentárius. Minas tem legislação desde 2002, que define áreas geográficas de produção, e somente nelas os fabricantes poderão ser autorizados pelos orgãos competentes. E os que estão fora destas áreas, ficarão na clandestinidade? Além disto, a legislação de Minas prevê, desde 2002, que deve-se criar linhas de crédito para os produtores da iguaria se adequarem com instalaçõe de queijarias dentro dos padrões sanitários. Dos milhares de pequenos produtores de queijo do estado, quantos já tiveram acesso a linha de crédito estabelecida em lei, e neste sentido, se legarizaram nos orgãos competentes? Muitos entraves devem ser equacionados, para que se garanta uma segura condição sanitária em toda cadeia produtiva, do campo à mesa, antes de tomar medidas fiscalizatórias truculentas perante a opinião pública, nas bancas de mercados consumidores, que não darão solução ao problema, assim como parece que foi sinalizado em Uberaba, que vem enfrentando o problema recentemente.Veja aqui . Não devemos passar o carro na frente dos bois, poi correremos o risco, este é certo, de continuarmos mantendo o queijo minas na mais obscura clandestinidade.

Marco Aurélio Ribeiro de Sá
Médico Veterinário Sanitarista
Especialista em Vigilância Sanitária

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